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UGOKU
 

esculturas em vidro soprado

O movimento que vira permanência.

Na linha UGOKU, o IRO Studio apresenta um estudo profundo sobre o vidro soprado como experiência física, emocional e escultórica. Criada por Lika Kikkawa, designer do estúdio, a peça nasce de um processo visceral: onde calor, peso e esforço humano se tornam parte essencial da linguagem formal.

Ugoku, palavra japonesa para movimento, traduz o momento da designer e o impulso que guia sua trajetória. Movimento como força vital, movimento como aquilo que nos desloca, nos transforma e nos desafia, especialmente quando foge ao controle. A proposta é capturar essa energia em uma forma estática: transformar o fluxo em permanência.

O vidro, material explorado pelo estúdio desde sua origem, é o protagonista absoluto. Incandescente a aproximadamente 1400 °C, ele exige presença total. Há um desenho inicial, um desejo traçado antes mesmo de acender o forno, mas as decisões definitivas acontecem no calor do processo e da matéria. 

 

A peça é inspirada em estudos de Lika sobre ânforas antigas, tradicionalmente executadas em terracota. Nesta leitura contemporânea, o vidro substitui a cerâmica e introduz brilho, densidade, força e elegância. A característica estrutural das duas alças é reinterpretada de maneira integrada ao corpo da obra. Elas não são anexos: nascem da própria massa vítrea, misturam-se à silhueta e se fundem ao volume principal.

A execução dessas alças, construídas a partir de perfurações no cristal ainda quente, exige extrema técnica, tempo e resistência física. Cada intervenção carrega risco e decisão.

A cor, assinatura e fio condutor do estúdio, é presença inevitável. Sobre um fundo neutro e opaco, escolhido para intensificar contraste e valorizar texturas, placas de vidro colorido, compostas a partir de restos de outros projetos, ampliando o aproveitamento da matéria existente, iniciam o processo. À medida que se fundem e deslocam no calor, criam desenhos orgânicos e camadas de profundidade. É uma assimetria controlada, onde intenção e acaso dialogam até que a forma escultórica se consolide.

 

O movimento está presente em todas as dimensões da obra: no deslocamento físico do vidro, enquanto é moldado manualmente; no esforço corporal que movimenta a peça; assim como no movimento mental constante, em que cada decisão é avaliada e, muitas vezes, ajustada ao longo do processo.

 

UGOKU são peças únicas ou numeradas.
Simples em silhueta, complexa em técnica.
Estática na forma, pulsante em energia.

Uma obra que materializa o instante exato em que o movimento se transforma em permanência.

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